A pequena Lorena só existe há um mês, mas já mudou a vida da mãe, a detenta Camila Fernanda de Oliveira Correia , 26, uma das presas do pavilhão 2 da Penitenciária Feminina de Pirajuí , interior de São Paulo. Nas drogas desde os 15 anos, condenada por tráfico e associação para o tráfico, reincidente, mãe de uma filha de 12 anos que não criou, Camila experimenta pela primeira vez a sensação de dar banho, trocar, fazer dormir e amamentar a "bonequinha". Ela também conta as horas. "Deu seis meses, eu sei que vou ter de entregar e ela vai embora. Só me consola ela não ir para adoção. A Lorena vai ficar com minha mãe". Como ela, outras 11 detentas estão na ala de amamentação do presídio, com bebês de colo ou prestes a dar à luz. Há ainda outras 27 grávidas no pavilhão e todas vivem o drama da separação dos filhos, angústia que ronda a maioria das detentas. Cerca de 70% das 1.460 presas da unidade têm filhos menores de 12 anos; do total, 451 são presas provis...